sábado, 17 de abril de 2010
Verdade da Mentira
Podia ter sido diferente, mas não fui. Até podia ter sido feliz, mas não fui. São tantos os sentimentos, os pensamentos que me passam pela cabeça e pelo peito. São tantas as coisas que quero viver, e não vivo. Existem sensações desconhecidas, labirintos do meu ser, que tambem desconheço a saída. Não existem placas nem direcções, nem bússulas, nem rosas dos ventos com o Norte ou o Sul. Até podia mandar um berro bem alto, gritar ao mundo o que quero e o que sou, mas não posso. O medo e a angústia assombram-me a toda a hora, e impedem-me de seguir o meu instinto. Basta pôr um sorriso, um ar feliz, seguir em frente como se nada fosse, e fingir que o mundo é fácil e verdadeiro. Mas é mentira, ele não está pronto para suportar diferenças, pessoas que estão à margem da sociedade, porque simplesmente são marginalizadas. Não posso mudar, o que não quer ser mudado. Eu fraquejo, tenho medo, inseguranças. Não estou pronto para me lançar às feras deste circo, para ser chicoteado pelo meu domador. Agora vivo escondido, magoado na penumbra da noite e do dia. Agora tenho pena dos palhaços, dos mascarados que vivem escondidos entre a verdade da mentira.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
À Beleza
Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Criadas I
" E estas luvas! E estas eternas luvas! Estou farta de te dizer para as deixares na cozinha. Secalhar é com isto que contas seduzir o leiteiro. Não, não mintas. É inútil mentir. Vai pendurá-las por cima do lava-loiça. Quando é que tu perceberás que este quarto não pode ser conspurcado? Tudo, absolutamente tudo quanto sai da cozinha é esterco. Leva daqui os teus escarros. Vai-te embora. Ora pára lá com isso!"
" Não te importes, continua a embonecar-te. Não há que ter pressa, temos imenso tempo. Sai "
/Clara
" Não te importes, continua a embonecar-te. Não há que ter pressa, temos imenso tempo. Sai "
/Clara
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Aqui.
Estou aqui e nem sabes que existo. Estou aqui, e nem sabes o que estou a escrever.
Estou aqui e simplesmente não sabes o que sinto, estou aqui e simplesmente estou...
Estou aqui sim, mas podia nem estar...
Estou aqui e simplesmente não sabes o que sinto, estou aqui e simplesmente estou...
Estou aqui sim, mas podia nem estar...
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