Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
Miguel Torga, in 'Odes'
sábado, 9 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Criadas I
" E estas luvas! E estas eternas luvas! Estou farta de te dizer para as deixares na cozinha. Secalhar é com isto que contas seduzir o leiteiro. Não, não mintas. É inútil mentir. Vai pendurá-las por cima do lava-loiça. Quando é que tu perceberás que este quarto não pode ser conspurcado? Tudo, absolutamente tudo quanto sai da cozinha é esterco. Leva daqui os teus escarros. Vai-te embora. Ora pára lá com isso!"
" Não te importes, continua a embonecar-te. Não há que ter pressa, temos imenso tempo. Sai "
/Clara
" Não te importes, continua a embonecar-te. Não há que ter pressa, temos imenso tempo. Sai "
/Clara
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Aqui.
Estou aqui e nem sabes que existo. Estou aqui, e nem sabes o que estou a escrever.
Estou aqui e simplesmente não sabes o que sinto, estou aqui e simplesmente estou...
Estou aqui sim, mas podia nem estar...
Estou aqui e simplesmente não sabes o que sinto, estou aqui e simplesmente estou...
Estou aqui sim, mas podia nem estar...
sábado, 24 de outubro de 2009
Não Acredito.
Acredito em lágrimas e sorrisos
Desertos e paraísos.
Acredito em lutas e lembranças
Esquecimentos e esperanças.
Não acredito na confiança depositada,
Na lágrima arrastada
Num rosto de tristeza.
Não acredito na música cantada
Dita, e encantada
Por uma voz de beleza.
Amor não passa de curtição,
Entregamos o corpo e a alma…
E ficamos na solidão.
Amar para quê?
Esquecer para quê?
Acredito na vida,
Acredito na dor,
Mas desculpa,
Não acredito no amor.
Desertos e paraísos.
Acredito em lutas e lembranças
Esquecimentos e esperanças.
Não acredito na confiança depositada,
Na lágrima arrastada
Num rosto de tristeza.
Não acredito na música cantada
Dita, e encantada
Por uma voz de beleza.
Amor não passa de curtição,
Entregamos o corpo e a alma…
E ficamos na solidão.
Amar para quê?
Esquecer para quê?
Acredito na vida,
Acredito na dor,
Mas desculpa,
Não acredito no amor.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
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